As Aventuras de Qualquer Coisa – André Ruivo

|PT| As Aventuras de Qualquer Coisa – André Ruivo
Livro com 40 páginas.

Impresso em papel IOR Premium de 135g.
Publicado por Stolen Books, Setembro de 2018.
Dimensões – 15 x 10 cm

 

|EN| As Aventuras de Qualquer Coisa (The Adventures of Anything) – André Ruivo
Book with 40 pages.
Printed on IOR Premium 135gr paper.
Published by Stolen Books, September 2018.
Size – 15 x 10 cm

 18.00

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|PT| As Aventuras de Qualquer Coisa – André Ruivo
Eu preferiria não

E, de repente, existem três maneiras de ver estes desenhos e todas as coisas revelam a sua incompletude. Inicialmente, cada um parece desenvolver novos episódios da filosofia de vida de Bartelby, de Herman Melville, o escrivão. Bartelby era um herói por ausência, recusando-se a ir a todas as palestras solicitadas, repetindo, como uma fórmula mágica: “Eu preferiria não”. Bernardo Soares não está longe disso.

No entanto, os personagens de André Ruivo, com um senso de humor autodestrutivo e enganoso, são personagens comoventes. Sendo assim, eles estão mais próximos da lógica da dromologia urbana do flâneur de Baudelaire. Mas eles vagam por uma cidade vazia, e não cheia de pessoas, uma cidade dominical e não uma avenida anônima ou uma rua movimentada de Nevsky. Nesses desenhos, há também uma tendência pop: nas cores, nos corpos humanos, na teatralidade do gesto, nos adereços, nos edifícios da cidade … tudo indiferentemente perspicaz, geometrizado ou planejado, tudo exclusivamente extravagante e musicalmente rítmico – lembranças de um certo e psicodélico submarino. Finalmente, nesses desenhos, parece que nada está acontecendo. Ou quase nada. Ou nada importante. Afinal, existe algo. Podemos até dizer que coisas muito importantes estão acontecendo.

– João Pinharanda

 

|EN| As Aventuras de Qualquer Coisa (The Adventures of Anything) – André Ruivo
I would prefer not to

And so, suddenly, there are three ways to look at these drawings and all things reveal its incompleteness. Initially, each seems to develop new episodes of the life philosophy of Herman Melville’s Bartelby, the scrivener. Bartelby was a hero by absence, refusing the do all the requested talks, repeating, like a magic formula: “I would prefer not to”. Bernardo Soares is not far from it.

Nevertheless, André Ruivo’s characters, with a self-destructive and deceptive sense of humour, are moving characters. So being, they are closer to the logic of urban dromology of Baudelaire’s flâneur. But they wander in an empty city, and not one full of people, a Sunday city and not an anonymous Boulevard or a Nevsky crowded street. In these drawings there is also a Pop drift: in the colours, the human bodies, the gesture’s theatricality, its props, the city’s buildings… everything indifferently perspectived, geometrized or planned, everything exclusively garish and musically rhythmic– memories of a certain and psychedelic submarine. Finally, in these drawings, it seems as if nothing is going on. Or almost nothing. Or nothing important. There is, after all, something. We can even tell very important things are going on.

— João Pinharanda

Weight 55 g